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Pois muito bem, elas nunca estão felizes com nada

"Elas nunca estão felizes com nada!", uma frase que pode dar início a uma discussão quase infinita e que se aplica a quase tudo que caminha sobre a terra.
Mas no caso deste texto em particular, trata de algumas colegas, as quais nunca estão felizes com nada e com coisa alguma. 
Começa mais ou menos assim: "vou ajudar a fulana no que ela precisar", "vou fazer tal e tal coisa para beltrana para ajudar", "quero entrar no maior número de projetos possível" e por aí vai, até que precise!
Porque quando chega a hora de ajudar, de fazer e de realizar o projeto, as paredes ouvem mais do que o muro das lamentações. Ora isso não está bom, ora aquilo está desorganizado, ora "eu tenho que fazer tudo". E "fazer tudo" é o que mais se ouve, até de quem faz o mínimo possível.

Vejamos, uma certa pessoa precisa:
a) escrever o projeto - coisa que não é nenhum pouco fácil, já adianto, mas que é muito facilmente criticado por quem nunca escreveu nenhum e só se aproveitou daquilo que já foi escrito mas não executado por outrém;
b) verificar a disponibilidade de todo o necessário para a execução do dito cujo;
c) pedir pelo amor de deus para todas as pessoas se organizem a fim de montar uma equipe coesa com quem possa trabalhar;
d) ir atrás das unidades amostrais e, caso não esteja esquecendo nada,
e) fornecer o material e o cronograma para a equipe visando o melhor desempenho possível.

Bom, vamos dizer que o trabalho esteja marcado para começar às 6h da manhã, mas alguns indivíduos só precisem chegar às 11h. Às 11h 10, ainda em casa porque estão atrasados, já abrem um bocão enorme: "mas por que não começaram às 5h da manhã então?".
Às 12h30, depois de terem chegado com a cara amassada, rido, fofocado e etc para só então realizar suas devidas atividades, já soltam: "mas tem que trazer comida. não dá para trabalhar com fome", porque em algum lugar na cartilha da pós-graduação que eu não recebi, certamente está escrito no parágrafo 0, versículo 0.0 que o dono de um experimento é obrigado por lei a fornecer alimento em modo constante e que obrigatoriamente seja do agrado da equipe pelo tempo em que durarem as atividades experimentais. Ora, ninguém pode fazer seu sanduíche em casa e levar, mas sim uma única pessoa deve alimentar 30 negros mortos de fome on a daily basis. Do contrário, a ele será impetrada a penalidade máxima: pragas pelas suas próximas 10 gerações.

Como até os androides entendem o conceito de empatia, como vimos no Blade Runner, resolvida, ou não, a questão do lanche, os membros da equipe resolvem ser proativos e de fato ajudar. Aí a coisa degringola de vez... "porque eu faço isso, aquilo e aquele outro", "porque não tinha nada para eu trabalhar", "porque eu carreguei isso e aquilo" que certamente era do mesmo peso de uma pedra da pirâmide de Gizé, e por aí vai... não tem fim a capacidade de uma pessoa não ser feliz e colocar a culpa da sua frustração não em si mesma, mas nas coisas que ela tem que fazer. 

Termina o dia no maior bate e boca, todos unidos contra o dono do trabalho. E assim que ele terminar, todos se unem novamente não para lembrar o estresse que causam e a desarmonia, mas pra se lembrar que sofreram como escravos e que só e apenas por isso, sem escrever e ajudar a revisar uma única linha, querem seus nomes no artigo. 

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